
Naturopatia: Saúde.
12 de novembro de 2024A Luta Pelo Reconhecimento
Ao consultarmos o oráculo dos tempos atuais – o google – está lá:
– Alopatia
Também conhecida como medicina tradicional, a Alopatia é baseada no “princípio dos contrários”, uma corrente da medicina que busca a cura de uma doença por meio de medicamentos que atuem de forma contrária aos sintomas causados pela condição.
Termo introduzido em 1810 por Christian Friedrich Samuel Hahnemann, considerado o Pai da Homeopatia, para descrever técnicas de tratamento que sigam o princípio “Contraria contrariis curantur” que seria oposto ao “Similia similibus curantur”, base terapêutica da Homeopatia. Wikipedia.
– Homeopatia
A Homeopatia é a terapia iniciada pelo alemão Samuel Hahnemann (1755-1843) em 1796. Baseia-se no princípio semelhante pelo semelhante se cura, ou seja, o tratamento se dá a partir da diluição e dinamização da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável.
Homeopatia é uma forma de terapia alternativa pseudocientífica, iniciada pelo alemão Samuel Hahnemann em 1796. Baseia-se no princípio similia similibus curantur, ou seja, o suposto tratamento se dá a partir da diluição e dinamização da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável. Wikipedia.
A julgar pelo que o “oráculo” hodierno([1]) nos informa (quase impõe), ambas as correntes terapêuticas têm seus focos – claro está – nos acometimentos, nas enfermidades, não obstante a perspectiva de uma ser oposta a da outra, como está claro nos textos extraídos da “internet”.
Claro também está – e enfaticamente claro! – que os autores do texto creditam a Alopatia o mérito em ser método terapêutico científico, ao mesmo tempo em que desqualificam a Homeopatia como sendo “terapia alternativa pseudocientífica”.
Fora a questão ontológica relativa aos termos alternativo e ciência, o estabelecido pelo google nos leva a concluir que as técnicas médicas racionais e confiáveis surgiram então, na humanidade, há duzentos anos. No máximo! De modo que daí para trás, como desdobramento, as pessoas morreriam ou salvar-se-iam graças a milagres ou à sorte em não adoecer… As milenares medicinas, chinesa e védica, por exemplo, de acordo com os apologetas da Alopatia, não passaram ou não passam de mistificação – e por intermináveis anos – levando junto a acupuntura, por conseguinte. Neste sentido, povos primeiros da África e da América, por exemplo, não poderiam existir… Mas existem.
– Naturopatia
Assim está descrito pelo google/wikipedia o que é e como é a Naturopatia.
Naturopatia ou medicina natural é uma forma de medicina alternativa que recorre a uma série de práticas pseudocientíficas comercializadas como “naturais”, “não invasivas” ou “regenerativas”. A ideologia e os métodos da Naturopatia têm por base o vitalismo e a medicina popular, e não a medicina baseada em evidências.
É comum que naturopatas recomendem às pessoas que não recorram a práticas medicinais modernas, como exames médicos, medicamentos, vacinas ou cirurgias, podendo trazer complicações quando um paciente deixa ter um diagnóstico ou tratamento adequado a tempo. Em vez disso, os estudos e práticas naturopatas assentam em noções não científicas, que levam freqüentemente a diagnósticos e tratamentos sem mérito factual.
A Naturopatia é considerada pelos profissionais de medicina como sendo ineficaz e potencialmente prejudicial, o que levanta questões de ética médica acerca da sua prática. Os naturopatas têm sido continuamente acusados de charlatanismo. Nos tribunais de muitos países, vários naturopatas têm sido julgados como responsáveis por vários crimes. Em alguns países, é crime os naturopatas apresentarem-se como profissionais de saúde. Wikipédia.
Isto é, quem escreveu este texto não gosta da Naturopatia, conhecendo-a ou não, já que o texto nada contém a respeito do pensamento, da perspectiva, da ideologia, próprias da Naturopatia e das suas respectivas práticas terapêuticas.
Muito menos seu foco.
Somente existem dois caminhos para tratar alguém doente: debela-se a doença de fora para dentro ou de dentro para fora. De fora para dentro, o foco é a doença; de dentro para fora, o foco é o doente. Cabe ressaltar que a Homeopatia apresenta aspectos comuns às duas outras: os medicamentos destinam-se ao acometimento, tal qual na Alopatia, por outro lado, força o doente a “resolver o problema” com seu corpo, tal qual na Naturopatia.
Naturopatas tratam doentes, de preferência preventivamente; alopatas ocupam-se de doenças([2]), malgrado o doente. Daí a importância compulsiva de exames; médicos alopatas praticamente não trabalham sem resultados de exames nas mãos. Os ainda vivos, septuagenários ao menos, são exceção. Homeopatas transitam entre os dois.
O que expõe a Naturopatia a críticas e a execrações contumazes é a ausência de padronização dos seus diagnósticos, profilaxias e procedimentos justamente por ser o doente o objeto da ação naturopática. O doente, com sua infinda multiplicidade pessoal, impõe ao profissional naturopata, indivíduo a indivíduo, abordagens distintas para o mesmo acometimento. Significa ser praticamente impossível padronizar profilaxias e terapias.
O exercício da Naturopatia recai exclusiva e largamente sobre o respectivo profissional, cuja amplidão de competências cobre – precisa cobrir! – todos os aspectos da fisiologia humana e seu psiquismo, porquanto, praticamente não há especialidades na Naturopatia.
O corpo humano é uma integridade com dependências – todas as partes do nosso corpo são interdependentes – o que impõem diagnósticos e receituários genéricos e não focados na aparência mais distinta dos acometimentos, vulgarmente denominada doença. Num determinado momento, na parte mais débil é onde os acometimentos se manifestam, mas o corpo inteiro está doente: acometimentos são conseqüências, não causas. Com esta perspectiva trabalha o naturopata. Assim e portanto, o naturopata passa a ser encarado e tratado por não naturopatas como uma espécie de excêntrico, irresponsável, inconveniente, um incômodo… O comércio da saúde agradece.
Alguém já afirmou que Alopatia é técnica médica de e para guerras. De fato, destina-se a situações desesperadas, como em campos de batalha, após acidentes ou tragédias, etc. Por outro lado, a Naturopatia destina-se, por princípio, a restaurar o estado saudável das pessoas e assim mantê-las – torná-las resistentes e evitar que adoeçam, desde o nascimento – justamente porque este é seu foco.
Fora os aspectos técnicos funcionais, uma quantidade enorme de medicamentos próprios tanto da Alopatia quanto da Naturopatia é produzida a partir dos mesmos elementos ativos: ervas, raízes, minerais, flores, etc. De modo que ambas técnicas, para o melhor resultado possível à saúde das pessoas, podem, devem e precisam coexistir sem antagonismo algum. Muito pelo contrário, pois são mais que complementares: interceptam-se.
Podemos dizer, com um pouco de atenção, que a Alopatia é a extensão tecnológica da Naturopatia, pois esta a antecede – foi o princípio.
O Projeto
Em dois de agosto de 2021 o Projeto de Lei, de autoria da Deputada Federal Profa. Rosa Neide – PT/MT, dispondo sobre a regulamentação da atividade profissional Naturopata, é protocolado na Câmara Federal sob o no 2622. O projeto foi encaminhado à Comissão de Seguridade Social e Família sob a relatoria do Dep. Federal Alexandre Padilha – PT/SP. A íntegra do projeto está anexada ao final deste manifesto.
O voto do Relator se deu pela aprovação do projeto.
A última ação legislativa, datada de 23/03/2023, apresenta o conteúdo:
Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (MESA).
Decisão da Presidência de 23/03/2023, conforme o seguinte teor: “Tendo em vista a edição da Resolução da Câmara dos Deputados n. 1/2023 […], criando a Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família e a Comissão de Saúde, revejo o despacho de distribuição aposto “…” para o fim de determinar sua redistribuição à Comissão de Saúde, em substituição à Comissão de Seguridade Social e Família, extinta pela mesma Resolução”.
Em 31/01/2023, com o fim da respectiva legislatura, o Dep. Alexandre Padilha deixou de ser membro da Comissão de Seguridade Social e Família. O projeto está parado na Câmara Federal neste momento, portanto.
Nossa Luta
A situação que se apresenta hoje a Naturopatia é conseqüência direta da ação – ou da falta dela – dos seus profissionais: nós naturopatas estamos desunidos. Estamos desunidos em vários aspectos, não só no aspecto político, mas também e principalmente, no aspecto do exercício da nossa atividade. Divergimos quanto a métodos, quanto à terminologia técnica, quanto ao relacionamento com as demais modalidades médicas, etc. Ou seja, quanto ao discurso político-ideológico da nossa atividade, cujo público alvo não é só interno, mas externo também.
A paralisação do nosso projeto de lei, com arquivamento provável e breve, resulta desta endêmica e sistêmica dificuldade para aglutinarmos. Político algum nos considera força política tal que justifique envolver-se com “causas naturopáticas” associadas a parcos votos.
Por frias que possam parecer as considerações anteriores, votos refletem não só poder contido em idéias, mas, principalmente, quantos estão aglutinados em torno delas. Justeza e quantidade. No momento, precisamos ajustar nossas idéias no sentido de conferir espírito de corpo à atividade naturopática, de maneira a homogeneizar as práticas e o discurso afeto, vital a dirimir noções equivocadas, confusas ou estranhas à Naturopatia.
Espírito de corpo. É a pedra de toque para configurarmos nossa bandeira de luta, isto é, a modalidade médica Naturopatia precisa de clara estrutura técnico-científica, precisa de métodos diagnósticos e terapêuticos padronizados. Acima de tudo os naturopatas precisam constituir um núcleo dirigente representativo da categoria e com forte liderança.
Profissionalismo, este é o caminho.
Tarefa dura e difícil, mas nada impossível.


